ESCRITÓRIO CONTÁBIL & TRIBUTÁRIO PENELA

Pesquisa conclui que brasileiros sabem comprar melhor que governos

05/08/2015 10:34

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (4) concluiu que os órgãos públicos têm o péssimo hábito de pagar mais caro na hora de comprar qualquer mercadoria. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação analisou mais de 3 milhões de notas fiscais do governo federal e de órgãos estaduais e municipais, e percebeu que, em média, pagaram 17% a mais do que as empresas privadas

O Jornal Nacional pediu aos pesquisadores uma outra comparação. Entre os preços que o setor público pagou e aqueles que qualquer cidadão paga quando vai ao supermercado.

Quando você chega no supermercado e um produto está mais caro do que você acha que deve pagar, você paga?

“Depende da necessidade”, disse Dona Emília, que tem 73 anos e faz compra toda semana. Pesquisa preço, tenta driblar a inflação.

“A gente tem que procurar onde está mais em conta e na promoção, senão não dá conta”, ela diz Maria Emília Ribeiro de Souza.

Agora, se você fosse do governo e estivesse lidando com dinheiro público para fazer compras, você pesquisaria?

Em um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a pedido do Jornal Nacional, os pesquisadores analisaram 81 mil notas fiscais. São compras feitas por órgãos públicos federais, estaduais e municipais em junho.

Os valores dessas notas foram comparados com os preços encontrados no supermercado.

O preço médio da batata que os pesquisadores encontraram foi R$ 3,79.

Jornal Nacional: Dona Emília, e se essa batata tivesse por R$ 4,39? A senhora compraria?

Dona Emília: Se tivesse necessidade eu compraria. Mas se puder passar sem ela...

Na batata, os órgãos públicos pagaram 16% a mais do que o preço médio dos supermercados.

Um quilo de carne de primeira custava para o consumidor mais ou menos R$ 22. Mas os órgãos públicos pagaram, em média, R$ 27 - 23% a mais.

E o papel higiênico? Em junho, você pagaria R$ 3,14 num pacote com quatro. O setor público pagou R$ 3,89. Ou seja, 24% a mais.

Dona Emília: Eu acho caro. Você não compra só um rolo, compra diversos. Então, tem que cair o preço.

Jornal Nacional: E se eu dissesse para a senhora que aquele mesmo pacote de quatro rolos está custando R$ 17,88?

Dona Emília: Ah, isso aí é fazer o povo de burro. Desculpa, mas é fazer o povo de burro. Quem, muito leigo que seja, vê que está errado. Está fora de preço. Não tem condições.

Só que foi esse o preço que os pesquisadores encontraram numa das compras públicas: quase R$ 18. É 469% a mais do que o preço médio.

“A compra pública ela tem que se dar pelo menor preço. Então, não existe lógica nos governos pagarem um sobrepreço. Então, esse sobrepreço se dá uma parte por corrupção, e também pelo descontrole, o que faz com que se gere lucros extraordinários nos fornecedores do setor público que são indevidos. Isso demonstra que é necessário uma verificação, uma fiscalização, muito mais intensa nas compras públicas”, disse Gilberto Luiz do Amaral, coordenador do IBPT.

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